Dallagnol: “Bolsonaro terá algum interesse em aparelhar a PGR”

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Em nova conversa publicada pelo ‘The Intercept’, procurador da Lava Jato comenta caso envolvendo filho do presidente. Divulgação ocorre às vésperas da escolha do procurador-geral da República

Quando explodiu o escândalo envolvendo as movimentações financeiras de Flavio Bolsonaro de um de seus assessores, em dezembro passado, Deltan Dallagnol avaliou que o presidente da República, Jair Bolsonaro, poderia ter uma “última saída” para tentar proteger seu filho, para ele “certamente” ligado às irregularidades, de problemas legais na instância superior: “aparelhar” o cargo de procurador-geral da República para “blindar” o agora senador. Dallagnol se pergunta ainda, em conversas com seus colegas, o que faria Sergio Moro caso a investigação escalasse antes que o então nomeado a ministro da Justiça alcançasse uma indicação para a vaga do Supremo Tribunal Federal. As análises do procurador que lidera a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba aparecem em novas mensagens privadas trocadas com seus companheiros de trabalho.

As mensagens do procurador de Curitiba esquentam ainda mais a reta final para a escolha do novo ou nova PGR. Neste final de semana, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre o tema e mais uma vez repetiu que não está obrigado o selecionar o substituto de Dodge a partir da lista tríplice originada numa eleição da própria associação dos procuradores. “Eu vou seguir a Constituição. Você pega os reitores [de universidades], há lista tríplice. Na PGR não existe essa obrigatoriedade. Isso dá uma flexibilidade para a gente. A gente procura sempre atender, obviamente, mas…”, disse Bolsonaro. No sábado, o presidente afirmou que terá “fumaça branca” — ou seja, um escolhido— até 17 de agosto. Neste domingo ele disse que “lá para o dia 15” divulgará seu veredito.

Apesar de não ser uma obrigatoriedade constitucional, a escolha do PGR a partir da lista independente da categoria é uma prática defendida por procuradores e especialistas como um reforço da independência do cargo. Desde o Governo Lula, o nome do chefe do Ministério Público vem da lista. No Governo FHC, que não seguia a recomendação, o procurador-geral Geraldo Brindeiro, um dos mais longevos da história no cargo, recebeu dos críticos o apelido de “engavetador geral de República” acusado de não levar adiante casos sensíveis para o Planalto.

Com AEN

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